Mostrar mensagens com a etiqueta arqueologia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta arqueologia. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Dia Internacional dos Monumentos e Sítios é marcado pela 15ª Edição de “Um dia na pré-história” em Portimão

No âmbito das comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, nos dias 15 e 16 de abril, o Museu de Portimão e os Monumentos Megalíticos de Alcalar serão palco de dois eventos: uma Sessão de Conferências e a 15ª edição da recriação histórica “Um dia na pré-história”.

No dia 15 terá lugar a sessão de conferências intitulada “Era uma vez na Pré-história”. Com cinco comunicações previstas e uma degustação de cerveja artesanal à beira do rio Arade serão apresentadas reflexões acerca das diferentes vertentes do trabalho que tem vindo a ser realizado nos Monumentos Megalíticos de Alcalar, os contributos científicos, a experimentação e a própria gestão/divulgação do espaço. A decorrer no Museu de Portimão, entre as 15h00 e as 18h30, tem entrada livre sujeita a inscrição prévia.

No dia 16 realiza-se, entre as 10h00 e as 16h30, nos Monumentos Megalíticos de Alcalar a recriação histórica “Um dia na Pré-história”, um evento de referência para o município que no ano transacto contou com 1600 visitantes e este ano regista a sua 15ª edição com um programa que vai para além dos tradicionais ateliês onde o quotidiano alcalarense é retratado e o visitante pode testar a destreza de caçar, tecer, modelar cerâmicas, cultivar e ceifar, entre outras experiências.

A arqueologia experimental volta a marcar a oferta desta iniciativa com um conjunto de propostas que permitirão ao visitante participar e assistir à preparação dos alimentos, desde o “desmanchar” de um porco, ao aproveitamento de toda a sua carne e ossos, até à sua confecção. Os mariscos, berbigão, ameijoa e o peixe fazem igualmente parte da ementa que os mais curiosos poderão provar. Sem fósforos nem facas a equipa, especializada neste tipo de experimentação, vai fazer o fogo e preparar os alimentos como se recuássemos 5000 anos utilizando os instrumentos de pedra.
Através da “soenga”, vai perceber como se realizava o processo de cozedura ancestral da cerâmica, ficando igualmente a conhecer as práticas do talhe de líticos e outros materiais que possivelmente seriam usadas no fabrico das suas ferramentas, machados, pontas de setas, enxós e flechas, entre outros.
Não faltará a experiência do fabrico de cerveja com a utilização dos ingredientes que os alcalarenses dispunham na época, tema que também será apresentado numa das conferências realizadas no dia anterior, no Museu de Portimão.
Será um dia de experiências fundamentadas pelos estudos já realizados sobre o território Alcalarense e os trabalhos desenvolvidos por parte de investigadores das universidades de Stuttgart (Alemanha), Córdoba e pelo Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa.
Para que a viagem no tempo seja uma realidade contaremos com encenações efectuadas pelo Grupo de Teatro da Escola de Artes da Bemposta e os visitantes poderão conhecer, através das visitas comentadas, a história da comunidade de Alcalar.

O evento organizado pela Câmara Municipal de Portimão, Museu de Portimão e Direção Regional de Cultura do Algarve, estende-se, à semelhança do ano passado, ao território onde há 5000 anos a comunidade de Alcalar desenvolveu as suas actividades, assumindo um carácter intermunicipal através de uma parceria entre os municípios de Portimão, Lagos, Monchique e as Juntas de Freguesia de Portimão, Alvor e Mexilhoeira Grande.

Este ano, mais uma vez, o programa das comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios conta com um significativo apoio financeiro proveniente da candidatura realizada pelo Grupo de Amigos do Museu de Portimão ao Programa DiVaM da Direção Regional da Cultura do Algarve.
O evento tem entrada livre e conta com o apoio do Jumbo, Hotel Júpiter, Grupo Pestana, Restaurante Restinga, Restaurante Myself, Clube Instrução e Recreio Mexilhoeirense, Escola da Bemposta e Cerveja Marafada.

Mais informações podem ser solicitadas através dos telefone 282 405 230/ 282 471 410 ou do e-mail: museu@cm-portimao.pt

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Obra põe a descoberto testemunho “valioso” do século XVI

Segundo nota da autarquia, considerando a localização do edifício, foram implementadas medidas de proteção ao património arqueológico e arquitetónico, que permitiram o registo de realidades associadas à ocupação da zona durante o século XVI.

A intervenção arqueológica, dirigida por Fernando Pereira dos Santos e Ana Bica Osório (Engobe, Arqueologia e Património Cultural, Lda.), possibilitou também a identificação de uma pequena porta da muralha (poterna), não registada em nenhuma da cartografia antiga conhecida.

O pano da muralha tardo-medieval de Vila Nova de Portimão, incluindo o caminho de ronda desta estrutura defensiva, irá ser incorporado no projeto, valorizando-o e permitindo aos utentes do espaço usufruir destes testemunhos da evolução da cidade de Portimão.

De referir também, que a fachada do novo edifício continuará a ser representante da arquitetura vernacular da Vila Nova de Portimão, uma vez que a sua reconstrução irá incorporar as cantarias originais e manter a mesma traça.

O processo de licenciamento e de acompanhamento da intervenção arqueológica contou com a participação do Sector do Património do Museu de Portimão e da Direcção Regional de Cultura do Algarve (DRCAlg).

Pano de Muralha colocado a descoberto:

A construção da referida muralha iniciou-se no século XV, em 1462, aparentemente sob as ordens de Afonso V, sendo continuada em 1476 pelo donatário escolhido pelo rei – Gonçalo Vaz de Castelo Branco. A muralha da Vila Nova de Portimão delimitava um polígono irregular com cerca de 6,5 hectares, estendendo-se desde o rio até ao interior.

A construção dos panos da muralha em “dentes de serra” assenta aparentemente no substrato rochoso, possuindo uma espessura média de 1, 60 m e uma altura original entre os 5 e os 6 m.

Desta forma, reforçada por baluartes e torreões, permitia uma vigilância eficaz. A vila intramuros cresceu a partir de três eixos: a Porta da Ribeira, a Porta da Serra e a Porta de S. João.

A partir do século XVII a Vila de Portimão iniciou a sua expansão extramuros, sendo a própria muralha integrada nas novas construções. No século seguinte a muralha já não cumpria a sua função defensiva.