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segunda-feira, 16 de maio de 2016

Obras na 125 ameaçam o verão no Algarve

O verão no Algarve é a época do ano em que a região ganha mais vida. Os hotéis e as praias enchem, os bares e as discotecas juntam múltiplas nacionalidades e o sul do país torna-se o destino preferido para recarregar baterias. Mas, este ano, a vida não vai ser fácil para os milhões de turistas optam por ir de carro para o Algarve. As obras na Estrada Nacional 125 (EN125) vão provocar constrangimentos no tráfego, que estão a deixar preocupados os empresários e os utilizadores daquela via.

O presidente da Associação dos Hotéis e Empreendedorismos Turísticos do Algarve (AHETA) antecipa uma situação complicada para quem escolher o Algarve no verão. "Tudo está a ser feito de uma forma que não deixa ninguém saber nada. Se já há dificuldades porque a circulação está a ser feita de forma alternada, a partir de agora só vai piorar porque a procura aumenta sempre nos meses que aí vêm", diz Elidérico Viegas, frisando que as expectativas para este ano são de um aumento do número de turistas.

Requalificação atrasou

A requalificação da EN 125 foi adjudicada em 2009 ao consórcio Rotas do Algarve Litoral. A ideia era fazer um conjunto alargado de intervenções para acabar com o estacionamento nas bermas da estrada e facilitar o escoamento do trânsito, num projecto que implicava a criação de cerca de 60 rotundas e a construção de variantes em Lagos e Faro. Mas o projecto foi sendo adiado ao longo dos anos e só arrancou definitivamente em 2015, numa versão mais curta e muito mais barata. Entretanto, a circulação automóvel na EN125 aumentou muito com a introdução de portagens na Via do Infante, em Dezembro de 2011.

Com as obras, muitos troços da EN125 estão com o tráfego condicionado e, embora um polémico corte no tráfego entre Maritenda e Fontainha tenha sido adiado esta semana, subsistem outras restrições. "As obras têm de ser feitas e até é pena que uma parte da EN125 não esteja a ser considerada. Mas há problemas que têm de ser tidos em conta", considera Elidérico Viegas, que propõe uma suspensão das obras até Outubro.

Face ao "caos instalado" e aos prejuízos que as obras têm causando à população e à actividade económica, o presidente da AHETA entende que as obras de requalificação da EN125 "configuram incompetência, falta de zelo e, em última análise, gestão danosa, exigindo a situação actual um rigoroso apuramento de responsabilidades".
A Infraestruturas de Portugal (IP), a empresa pública que gere as concessões rodoviárias, responde à contestação lembrando que se trata de um obra de importância fulcral para o Algarve. Fonte oficial da empresa explica que, no plano de trabalhos definido pela subconcessionária e aprovado pela IP, entre 15 de Julho e final de Agosto "não estão previstos constrangimentos que interfiram directamente com a circulação na plataforma rodoviária da EN125".

O grupo lembra ainda que este plano é do conhecimento das diversas entidades da região e, apesar dos transtornos, a importância da obra impõe a sua conclusão: "Interessa concluir o mais rapidamente possível as diversas intervenções de beneficiação e requalificação da EN125, pois apesar dos naturais transtornos que sempre decorrem da execução dos trabalhos, estes serão largamente compensados pela disponibilização de melhores acessos e de uma estrada mais segura para automobilistas e peões".

Mas a contestação não pára de aumentar e ouvem-se cada vez mais vozes a solicitar a suspensão das portagens na Via do Infante. É o caso da Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve: "Vamos chegar à época alta e a EN125 ainda não foi requalificada. Em muitos pontos do Algarve, as obras estão pura e simplesmente paradas ou então estão a decorrer a um ritmo muito lento", justifica Álvaro Viegas, presidente da associação.

Com as obras, diz, as empresas, os profissionais e residentes que utilizam a estrada "têm de ser desviados obrigatoriamente para a Via do Infante - e isso traz custos enormes". Álvaro Viegas espera que o Governo cumpra pelo menos a promessa de reduzir em 50% a portagem na Via do Infante. "Seria uma boa medida para a economia regional mas também porque os políticos devem cumprir o que prometem - e esta foi uma promessa eleitoral".

Também Sérgio Martins, director de marketing da Rotatur - Operadores Turísticos, teme pelo problemas de tráfego no Verão, e não apenas devido às obras da EN125. "Vamos ter dois problemas. Um são as obras na EN125 e o outro é o Aeroporto de Faro, que está em obras. Temos que ser tolerantes, as intervenções têm que ser feitas se o queremos melhor no futuro. Infelizmente, coincide com um ano que se espera muito bom", frisa, defendendo também a proposta de suspender as portagens na Via do Infante durante a época alta: "O prejuízo não seria grande, facilitaria a obras na EN125 e a produtividade de quem trabalha".

sábado, 5 de março de 2016

Como o vírus zika está a ajudar o turismo no algarve

O vírus zika nas Caraíbas e a ameaça terrorista em países da bacia do Mediterrâneo estão a desviar muitos turistas para o Algarve. Nos hotéis, as reservas para este verão já são superiores às registadas em 2015. São sobretudo turistas britânicos que procuram um destino de férias seguro.

O presidente do Turismo do Algarve, Desidério Silva, reconhece que há hotéis que estão já praticamente cheios. “Temos alguns hotéis já com dificuldade em fazer reservas para os meses quentes”, afirma.
Perante esta situação, espera-se que 2016 seja sinónimo de um ano extremamente positivo para a região, uma vez que vive muito do turismo.

Segundo Elidérico Viegas, presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, o aumento da procura está relacionado com um “desvio de fluxos turísticos”.
Os turistas estrangeiros trocaram o Algarve por destinos como a Turquia, Tunísia ou o Egito, mas a instabilidade lá acabou por trazê-los de volta ao Algarve e ao Sul de Espanha”, considera.
Este “regresso ao passado” é visto pelo responsável da AHETA como uma fuga a esses países, que nos últimos tempos têm sido bastante afectados por actos terroristas, e também pela epidemia de Zika no continente sul-americano.

A segurança é, de facto, o factor mais importante para os turistas britânicos quando chega a hora de escolher um destino de férias, segundo um inquérito realizado recentemente pelo portal TravelZoo.

Juntamente a estes factores, a própria Ryanair está a alertar os britânicos para que se apressem a marcar as suas férias, antecipando que alguns destinos estão já a “esgotar”.
A companhia low-cost explicou que os clientes que normalmente marcavam férias para o norte de África e continente asiático estão agora a fugir para o Mediterrâneo por “medo do terrorismo”.

O responsável pelo turismo da região acredita que não são só estes problemas que relançam o Algarve mas também por causa de fatores como “a diferenciação de ofertas e a divulgação do destino”.