O medronheiro (Arbutus unedo) é uma pequena árvore que se adapta a vários tipos de clima e de solos e por isso, o temos espontâneo desde a serra do Gerês no Minho em solos graníticos e ácidos, à serra do Caldeirão no Algarve, em solos de xisto também ácidos. Mas descendo a serra até ao barrocal algarvio, já em solos alcalinos e com rocha calcária, também podemos encontrar medronheiros, embora não tantos como na serra, não por se darem menos bem mas porque as terras têm outras árvores de fruto como a alfarrobeira e a amendoeira.
Deste fruto tem-se produzido tradicionalmente valiosa aguardente e vários tipos de licor, como a Melosa da serra de Monchique, em que se junta mel à aguardente. Mais recentemente têm sido identificadas boas qualidades nutricionais ao fruto fresco, como seja o elevado teor de antioxidantes, superior ao morango e à framboesa, bem como uma razoável quantidade de vitaminas e carotenóides. Também já se verificou que o medronho contém baixa quantidade de álcool (etanol), o que vem contrariar o senso comum de que estes frutos causam embriaguez. A compota de medronho é outro produto de qualidade, bem como outras sobremesas doces que este fruto permite fazer.
Finalmente há ainda um outro produto resultante do medronheiro ainda que de forma indireta. É o mel de medronho, produzido pelas abelhas na época de outono/inverno. É um mel mais amargo e ácido do que a maioria dos restantes méis, e de cor escura, mas tem alto teor antioxidante, sendo por isso muito valorizado nos países do norte da Europa e na Sardenha.
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